Pedido de Compra

This is some text inside of a div block.
This is some text inside of a div block.
Atenção: o preço de alguns itens mudou desde a sua última compra. Por favor, revise os valores no carrinho antes de finalizar o pedido.
This is some text inside of a div block.
R$
R$
2
Continuar Comprando
Frete
R$
Total
R$
Fechar Pedido
Configure sua experiência ajustando suas preferências. Ao clicar em 'Aceitar', você concorda com o armazenamento de cookies no seu dispositivo para otimização da navegação e esforços de marketing.
AceitarRejeitar

Esquerda – teoria e práxis

Trechos, selecionados pelo autor, da Introdução do livro recém-lançado.

1.

Este é um livro de intervenção e debate. Ele busca se engajar com diversas contribuições e questões que vêm se colocando para as esquerdas em geral, com referência sobretudo ao Brasil – ou pelo menos com o que podem significar no Brasil. Busquei discutir algumas contribuições recentes de pesquisadores e militantes desse amplo campo, sublinhando em particular a sua pluralidade – logo, sempre falando de esquerdas em vez de “esquerda” no singular –, assim como a necessidade de pensá-la de uma perspectiva plebeia, além de “popular” e de “classe”.

Não me furto em nenhum momento a apontar em que esquerda me situo, mas não quero de modo algum defini-la como exclusiva, embora sempre enfatize o imperativo democrático, sejam quais forem os outros aspectos que a caracterizem (socialista, comunista, socialdemocrata, ambientalista, anarquista, autonomista, até liberal, sem falar do feminismo e do antirracismo). Mas este livro é também, destacadamente em sua última parte, que trata de Karl Marx, um livro teórico.

Como se sabe, a relação entre teoria e prática é historicamente constitutiva da filosofia e, enfim, da teoria social e política moderna, inclusive revolucionária, de Karl Marx a Vladímir Lênin e daí por diante, hoje com ênfase problemática na experiência dos agentes e na sua autonomia política. É nessa tradição que este livro se insere, tentando melhor equilibrar razão e experiência (inclusive ao discutir o plebeísmo em sua dimensão política).

Em livro anterior, discuti a questão do horizonte histórico que as esquerdas precisam reabrir, ou seja, a questão do socialismo no século XXI. Aqui me concentro em questões de estratégia mais imediatas, se bem que de longo prazo, salvo no último capítulo, de cunho mais teórico, mas com fortes implicações práticas também.

Enfrentei assim, na primeira parte do livro, “Debates”, algumas publicações recentes de autores do campo das esquerdas. A discussão de Ingofur Blühdorn sobre a crise da política dos “Verdes” alemães abre os debates, seguido pela perspectiva latino-americana na mesma chave, mas mais positiva, de Maristella Svampa. Debato então três contribuições brasileiras sobre o significado, as políticas e as estratégias, quando as há, das esquerdas brasileiras, iniciando com a reedição de um livro de Vladimir Safatle, com um pós-escrito a respeito de seu ensaio recente sobre o fascismo, seguido das contribuições de Guilherme Boulos e, enfim, Roberto Robaina.

2.

A segunda parte do livro, “Intervenções”, enfrenta temas de grande importância, mas é também propositiva. Inicia-se com pequeno texto sobre junho de 2013, em registro plebeu. Uma entrevista que concedi a Gabriel Brito, do Correio da cidadania, dá-lhe sequência, com uma avaliação mais ampla da conjuntura.

Um texto mais longo desenvolve esta segunda parte do livro. Ele tenta pensar quais agendas e estratégias podem orientar as esquerdas – em sua diversidade e possível unidade parcial – nos próximos anos, décadas, na verdade, com foco no que trato como plebeísmo. Enfim, incluo texto sobre a chacina de 2025 no Rio de Janeiro e as estratégias eleitorais da direita, seguido por outro que discute a nova ordem internacional que se delineia como baseada em polos e relações de força, nela incluídos o Brasil e a América Latina mais geralmente.

Fecha o livro uma terceira parte, “Marx”, apresentando um ensaio bastante direto sobre Karl Marx – e, inevitável e positivamente, Friedrich Engels, com desdobramentos em Vladímir Ilyich Ulyanov Lênin, Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci, entre vários outros. Ele versa sobre alguns debates teóricos recentes dentro do marxismo, ausências curiosas na interpretação da obra de Marx e certos temas políticos teoricamente cruciais para o presente e o futuro.

Pensei inclusive em escrever um pequeno livro reunindo minhas ideias sobre o principal fundador do que ao longo do tempo se tornou o vasto campo da “teoria crítica”, que quero entender de uma maneira ecumênica, destacando sua dimensão política. Isso teria necessariamente rebatimentos na tradição que se desdobrou a partir dele e outras possíveis alternativas em termos de teoria crítica. Na falta de tempo para isso, este ensaio entrega o que de fundamental haja em minha possível contribuição para essas discussões, recolhendo e enfatizando algumas ideias-chave.

Creio ter coberto neste livro o que se publicou de significativo nos últimos anos sobre as questões e estratégias políticas contemporâneas, com referência ao Brasil, principalmente. Com ele dou, por outro lado, sequência a outros que venho publicando sobre as esquerdas – desde O Brasil entre o presente o futuro e Esquerda: crise e futuro, bem como, sobretudo, Uma esquerda para o século XXI.[i]

Apoio-me, porém, em outras publicações mais teóricas que correspondem ao mesmo período,[ii] várias das quais podem ser úteis para aprofundar as questões aqui discutidas. Democracia e plebeísmo, capitalismo, desigualdade, socialismo e liberdade igualitária, bem como mudança climática, com referência direta ou indireta ao Brasil, se destacam em todos eles.

A questão do plebeísmo, em particular, é central nas discussões que proponho, retomando outros trabalhos em que o teorizei. O plebeísmo implica a oposição entre as coletividades que controlam o sistema político moderno liberal-democrático, representativo, porém sempre variavelmente oligarquizado em qualquer lugar em que seja vigente, de um lado, e a grande massa da população, de outro, cuja influência política é reduzida, incluindo as classes trabalhadoras e populares em geral, mas também largas fatias das classes médias.

A esquerda acreditou que o modelo dos conselhos, a Comuna de Paris (1871) e os Sovietes revolucionários russos (1905 e 1917-1921), como exemplos cintilantes, romperiam com esse fechamento do sistema político às classes trabalhadoras, os quais, porém, na prática tenderam ou acabaram por reproduzir o mesmo problema, até radicalizando-o no modelo do partido-Estado.

3.

Este, 2026, é um ano eleitoral. A derrota do bolsonarismo se realizou em 2022 e nos anos subsequentes. O governo Lula fez finalmente nestes últimos dois anos, sem romper com uma política de frente democrática, uma leve inflexão à esquerda, em larga medida bloqueada, o que permitiria, em princípio, um apoio popular maior a seu governo e talvez uma reeleição mais tranquila.

O programa para o período seguinte (2027-2031) parece também inclinar-se um pouco mais à esquerda, a despeito das restrições orçamentarias que limitam sua margem de manobras para gastos e provável timidez em sua implementação. Após a longa crise de 2013-2018, parecia que as esquerdas estavam condenadas e que um novo largo ciclo de extrema direita se abria.

Este quase foi o caso, mas não chegou a se concretizar, em razão em grande medida da própria incompetência e radicalidade desta última, durante a pandemia e ao tentar um golpe de Estado na realidade anacrônico. A extrema direita não está, porém, nem de longe, morta. O problema eleitoral e político se repôs.

A ofensiva em torno da segurança pública desde a chacina de novembro de 2025 no Rio de Janeiro em chave de barbárie o demonstra, assim como a consolidação e competitividade de Flavio Bolsonaro na carreira pela presidência da república, a despeito de sua subsequente escandalosa vinculação com as fraudes do Banco Master e Daniel Vorcaro, seu proprietário, e outras obscuras transações. A questão democrática continua difícil, senão periclitante, bem como os problemas do sistema político enquanto tal, que envolvem agora a credibilidade do Supremo Tribunal Federal (STF).

4.

As eleições – presidencial e parlamentares, bem como para os governos dos estados – seguem infelizmente duríssimas e incertas. Oxalá elas permitam um bloqueio mais permanente da extrema direita, com uma nova vitória de Lula.

Assim, segue imperativo defender a democracia liberal representativa, com seu regime misto na medida em que contém, acentuadamente no Brasil, um aspecto oligárquico ao lado daqueles mais ou menos ou genuinamente democráticos. Mas cumpre igualmente buscar os meios e as vias para aprofundá-la, democratizando-a.

Enfim, a questão da corrupção, ou do neopatrimonialismo que assola o Estado brasileiro, retorna à cena de forma radical. Há aqueles que teimam em minimizá-lo ou caracterizá-lo tolamente como discurso da direita (inclusive com o quase cômico epíteto sobre a “criminalização da política”). Trata-se, porém, de um problema grave para a democracia.

O enriquecimento ilícito e a subtração de grande volume de recursos das políticas públicas, bem como a distorção dos procedimentos eleitorais que deveriam garantir a isonomia de candidaturas, não podem ser desconhecidos e ainda menos podem as esquerdas coadunar com esses fenômenos, que se encontram em todos os países, mas são particularmente acentuados no Brasil.

Este ano de 2026 vê a questão da corrupção explodir publicamente mais uma vez, com as falcatruas de tantas emendas parlamentares, a fraude do INSS e o caso do Banco Master. Pelo menos desta vez as esquerdas estão bastante distantes dela, contra a qual devem lutar renhidamente, no sistema político, na burocracia estatal, nos tribunais ou em qualquer lugar outro lugar, juntando agentes públicos e privados.

A questão social e sobretudo as desigualdades brutais que assolam o Brasil e o mundo não devem ser, obviamente, encobertas por esses problemas, por mais dramáticos que eles sejam. Devem estar no centro de uma agenda de transformação, juntamente com uma renovação e aprofundamento da democracia e o desenvolvimento sustentável, que deve ser também renovado e aprofundado. Mantenhamo-nos surdos aos cantos de sereia autoritários que se levantam em nosso próprio campo.

Texto publicada no portal A Terra é Redonda por José Maurício Domingues.

Confira aqui.

Esquerda: teoria e prática

Nossos Últimos Lançamentos

Ver Mais Lançamentos
Direito
R$ 108,00

Este livro convida o leitor a repensar as relações entre Direito, soberania, desenvolvimento e emancipação nacional a partir da perspectiva do Sul Global.

R$ 144,00

Uma exposição sistemática e metodológica do Direito Sucessório brasileiro, à luz do Código Civil, do Código de Processo Civil e da jurisprudência consolidada dos tribunais superiores.

Cadastre seu E-mail para Receber Novidades

E-Mail
Obrigado. Seu cadastro foi realizado com sucesso!
Não foi possível enviar seus dados. Por favor revise seu endereço de e-mail, aceite os termos e condições e tente novamente.
© Editora Contracorrente LTDA
2025
Rua Vergílio de Araújo Valim, 167, Avaré, SP—18707-815
CNPJ: 22.120.667.0001-60
Rua Vergílio de Araújo Valim, 167
CNPJ: 22.120.667.0001-60
Avaré, SP
CEP: 18707-815
CNPJ: 22.120.667.0001-60