Matéria publicada no jornal Folha de S. Paulo, de autoria de Naief Haddad.
"Não há memória de um comício que haja reunido multidão tão compacta", escreveu o Correio da Manhã.
O jornal se referia ao evento de 2 de janeiro de 1930 no Rio de Janeiro, que tinha Getúlio Vargas como o orador mais aguardado.
Embora Getúlio fosse pouco conhecido entre os cariocas, havia curiosidade da população para se inteirar da plataforma da Aliança Liberal, que se opunha ao grupo à frente do país nas décadas anteriores.

O gaúcho era candidato à Presidência da República pela coligação e, pela primeira vez, as propostas de um postulante ao cargo eram detalhadas em evento a céu aberto. Até então, tudo era discutido em gabinetes.
Getúlio foi derrotado pelo governista Júlio Prestes na eleição de março daquele ano. Sete meses depois, como se sabe, um golpe o levou ao poder. Era a Revolução de 1930.
A fala para dezenas de milhares no Rio, um momento decisivo da ascensão política de Getúlio, integra "Trabalhadores do Brasil! Discursos à Nação", livro organizado por Lira Neto, biógrafo do líder trabalhista. A publicação será lançada nesta quarta (18), em Brasília.

São mais de 50 discursos, uma seleção que privilegia os momentos mais relevantes da carreira política de Getúlio. Há, por exemplo, as falas dele em novembro de 1930, quando assumiu a chefia do governo provisório, e em julho de 1932, quando reagiu à Revolução Constitucionalista (ou Revolta Paulista).
Nesta última, atacou os líderes da insurreição de São Paulo: "Violentam, insultam e abastardam a opinião soberana do país aqueles que, sobrepondo-se ao seu definitivo veredito, ousam arrogar-se o direito de falar por ela, quando falam, apenas, pela voz de suas paixões".
Também está em "Trabalhadores do Brasil!" um discurso de novembro de 1937, quando abriu as portas para o autoritarismo do Estado Novo. "Entre a existência nacional e a situação de caos, de irresponsabilidade e desordem em que nos encontrávamos, não podia haver meio termo ou contemporização."
Lira havia mostrado nos três volumes da sua biografia a impossibilidade de acomodar Getúlio dentro de uma gaveta ideológica, constatação que o novo livro reitera. "Getúlio não era direitista, nem esquerdista. Era getulista, um homem pragmático, com uma leitura de cenário muito arguta", diz o jornalista, autor dos comentários que introduzem cada um dos discursos.
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